Detidos quatro jovens com ossadas humanas  

O Serviço de Investigação Criminal (SIC) apresentou, na cidade de Menongue, quatro jovens, com idades compreendidas entre 17 e 22 anos, que retiravam crânios e ossadas humanas nos cemitérios dos bairros São José e Mupambala, para realizarem rituais satânicos, com objectivo de ficarem ricos e/ou famosos.

Em declarações à imprensa, o porta-voz do SIC, Paulo Dias de Novais, explicou que os jovens detidos sob suspeita de envolvimento em crime de profanação de cadáveres, pertencem a um grupo denominado 664 e, desde Novembro do ano passado, retiraram, também, mais de 200 cruzes em túmulos, que colocaram em portas de igrejas e residências, nos bairros São José e Forte Menongue.

Acrescentou que as investigações que permitiram a detenção dos indivíduos começaram em Novembro do ano passado, quando se registou o primeiro caso de vandalização de túmulos no cemitério do Mupambala, onde foram subtraídas cruzes em campas.

Segundo Paulo de Dias de Novais, efectivos do SIC levaram a cabo diversas actividades operativas, que culminaram com a identificação, detenção e apreensão, na posse dos quatro jovens, de um crânio e ossadas humanas de membros superiores.

Paulo Dias de Novais disse que, no ano passado, foram registados dois casos de profanação de cadáveres, no município de Menongue. No primeiro caso foram encontrados, também, em posse de alguns jovens, ossadas humanas, com realce para crânios.

Custódio Joaquim Fonseca, de 18 anos, um dos detidos, confessou o crime, acrescentando que retiraram um crânio e ossadas humanas de membros superiores no dia 25 de Dezembro do ano passado, para rituais satânicos, com objectivo de ficarem ricos e/ou famosos, num curto espaço de tempo, tendo em conta que fazem parte de um grupo musical.

Salientou que foram informados que para atingir a fama no mundo da música tinham que realizar alguns rituais satânicos, ou seja retirar, principalmente, crânios e ossadas humanas no cemitério e depois colocar debaixo da cama para todas as noites rezarem em nome de Lúcifer.

Custódio Joaquim Fonseca disse que se sente arrependido, uma vez que foram enganados, porque em uma semana que faziam as orações nocturnas em nome de Lúcifer não viram nada a mudar nas suas vidas.

Apelou outros jovens a não seguirem o exemplo, sob pena de comprometerem o futuro e decepcionar os pais.

O regedor interino de Menongue, Paulo António, lamentou o facto de, nos últimos tempos, se registarem muitos casos de jovens que são enganados e  orientados a cometerem crimes de profanação de cadáveres, com promessas de que serão famosos e ricos, tendo em vista que as mesmas pessoas que fazem este tipo de promessa nem sequer têm uma vida estável e muitas das vezes vivem sem o mínimo de condições.

Fez saber que, anteriormente, segundo a tradição do povo Nganguela, as pessoas que eram apanhadas a profanar cadáveres ou encontradas com ossadas humanas tinham como sentença a morte imediata.

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