NACIONAL

ALERTA: Angola registou 200 casos de tráfico de seres humanos no ano passado

O país registou, em 2025, um total de 200 casos de tráfico de seres humanos, com realce para mulheres e crianças, informou, quarta-feira, em Luanda, o presidente do Observatório para a Democracia e Direitos Humanos (ODDH).

Yanick Bernardo falava à imprensa durante as Jornadas Académicas, que decorreram na Faculdade de Direito da Universidade Agostinho Neto sob o lema “Tráfico de Seres Humanos em Angola, Desafios Normativos e Respostas Institucionais”. 

O gestor do ODDH disse que a maioria das vítimas é constituída por cidadãos estrangeiros trazidos para Angola com falsas promessas de emprego, mas que depois é explorada sexualmente. Segundo o responsável, também há casos de vítimas nacionais angolanas, principalmente mulheres e crianças.

“Realizamos essa actividade para sensibilizar a população sobre o tráfico de seres humanos, como proteger as vítimas e discutir sobre os mecanismos que garantam tratamento com dignidade e respeito”, realçou.

O tema em questão, explicou, é um fenómeno silencioso e subnotificado, que afecta principalmente as camadas mais vulneráveis da sociedade.

Angola no nível dois

Por sua vez, a secretária de Estado para os Direitos Humanos e Cidadania, Antónia Yaba, defendeu o reforço de acções e cooperação internacional para erradicar o tráfico de seres humanos no país.

A governante disse que, apesar do país ser classificado no nível dois, intermédio no relatório de 2025 do Governo dos Estados Unidos, ainda há necessidade de fortificar as medidas de combate ao crime. 

Angola, prosseguiu, tem avanços consideráveis no domínio dos Direitos Humanos, mas ainda persistem desafios estruturais que exigem um compromisso colectivo. Entre os desafios, apontou a necessidade de aprofundar a educação cívica, reforçar os mecanismos de acesso à justiça, promover a igualdade de género e proteger os grupos mais vulneráveis.

O tráfico de seres humanos, frisou, é um crime que afecta a dignidade e os direitos fundamentais das vítimas. Por isso, é fundamental que as autoridades e a sociedade civil trabalhem juntas para prevenir e combater este crime.

“Para combater este grande mal, precisamos da cooperação de todos os sectores da sociedade. Nós, como autoridades, garantimos estar engajados com a obrigação de actuar na defesa e promoção da cidadania”, frisou.

Antónia Yaba alertou para os riscos associados à desinformação e à falta de conscientização em relação ao tráfico de seres humanos, especialmente em meio às transformações globais e às tecnologias de informação.

“Vivemos numa era marcada por transformações em que as tecnologias de informação, a comunicação e a mobilidade de pessoas redefinem as relações sociais, económicas e políticas”, frisou. 

Este novo paradigma, acrescentou, traz consigo enormes oportunidades, mas também riscos significativos para os seres humanos.

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