Fundo Soberano fica com os terrenos do antigo Roque Santeiro
Os terrenos onde funcionou o antigo Mercado do Roque Santeiro passam a pertencer ao Fundo Soberano de Angola (FSDEA). O Presidente da República autorizou a transferência da titularidade plena dos terrenos situados na zona do ex-mercado e da Boa Vista, no Município do Sambizanga, em Luanda. A decisão consta do Despacho Presidencial n.º 371/26.
O sumário publicado não refere a área abrangida. O antigo mercado ocupava uma faixa de cerca de um quilómetro de comprimento por 500 metros de largura, perto de 50 hectares. O despacho também não indica o valor atribuído aos terrenos nem o destino que o Fundo Soberano lhes pretende dar.
Durante anos um dos maiores mercados a céu aberto de África, o Roque Santeiro foi encerrado em 2010. A actividade comercial foi transferida para o Panguila, no Bengo. Os terrenos estavam destinados à requalificação urbana do Sambizanga, projecto lançado em Julho de 2011. O plano previa a construção de cerca de 3 mil habitações, infra-estruturas rodoviárias, redes de água e energia e a estabilização das encostas da Boa Vista e do Miramar, além de espaços comerciais e hoteleiros. Em 2016, o programa de realojamento estava ainda longe de concluído: das cerca de 9 400 habitações necessárias, apenas metade tinha contratos de construção garantidos.
Os terrenos juntam-se a outros activos transferidos para o Fundo Soberano. Vários deles foram apreendidos em 2020 ao empresário Carlos São Vicente, antigo presidente da seguradora AAA, condenado por peculato, fraude fiscal e branqueamento de capitais.
É o caso do Edifício Thyke, nos Coqueiros, em Luanda, construído no espaço do antigo Teatro Avenida. O imóvel está avaliado em 51,3 mil milhões de kwanzas, cerca de 56,2 milhões de dólares. Passou para o FSDEA através do Despacho Presidencial n.º 109/25, de 11 de Abril de 2025, como capitalização em espécie do Fundo. Segundo o Governo, a transferência visa maximizar a rentabilidade económica e financeira do activo e assegurar a sua valorização e manutenção.
Em Novembro de 2025, o Despacho Presidencial n.º 317/25 transferiu também para o Fundo 15% do capital do Standard Bank Angola, parte da participação apreendida ao empresário.
O IGAPE entregou ainda ao Fundo Soberano a fábrica têxtil do Dondo, a antiga Satec, no Cuanza Norte. O Estado tinha recuperado a fábrica em 2019, depois de uma privatização considerada irregular.
Com estes activos, o Fundo Soberano reforça a sua presença na economia nacional. O Fundo fechou 2025 com activos totais de 4,72 mil milhões de dólares e um lucro líquido de 527 milhões.
Entre os seus principais investimentos em Angola está a fábrica de fertilizantes do Soyo, a Amufert. Conforme noticiou a Líder Magazine, o Fundo Soberano e a Sonangol detêm 39% do projecto, que é controlado em 61% pelo Grupo Opaia. O investimento total está estimado em 2,6 mil milhões de dólares. O FSDEA já aplicou 130 milhões de dólares e tem cerca de 190 milhões por realizar.
No Huambo, o Fundo é accionista da Ozango Minerais, ao lado da britânica Pensana, no projecto de terras raras do Longonjo. Disponibilizou 25 milhões de dólares para as infra-estruturas da mina. A produção está prevista para 2027, com 20 mil toneladas anuais de concentrado, cerca de 2,5% da procura mundial.
Em Maio de 2025, o Fundo lançou com o empresário Haim Taib uma plataforma de desenvolvimento de impacto de mil milhões de dólares para o Corredor do Lobito. A plataforma investe em agricultura, infra-estruturas, saúde, indústria ligeira e educação ao longo do corredor, em Angola, na RDC e na Zâmbia.
