NACIONALPOLÍTICA

Os erros de ACJ que podem novamente prejudicar a UNITA nas próximas eleições gerais (2027)

Em 2020, Adalberto Costa Júnior procurou convencer os militantes do Partido de que a indicação de Francisco Viana como comissário eleitoral no Círculo Nacional constituiria um passo decisivo para levar a UNITA ao poder. Francisco Viana, por sinal, era seu amigo pessoal e residia em Benguela. Porém, a realidade eleitoral acabou por contrariar aquela narrativa: a UNITA não chegou ao poder e perdeu as eleições.

Hoje, perante os desafios que se colocam ao Partido, parece que ACJ volta a insistir na mesma fórmula, revelando, na nossa perspectiva, uma preocupante falta de discernimento político. Mais grave ainda, segundo as informações que circulam, militantes e quadros do Partido com competência e experiência estariam a ser preteridos na indicação para a CNE, dando lugar a pessoas próximas da actual liderança.

A questão que se coloca é simples: 𝗽𝗼𝗿 𝗾𝘂𝗲 𝗿𝗮𝘇ã𝗼 𝘀𝗲 𝗮𝗳𝗮𝘀𝘁𝗮𝗺 𝗾𝘂𝗮𝗱𝗿𝗼𝘀 𝗰𝗼𝗺𝗽𝗲𝘁𝗲𝗻𝘁𝗲𝘀, 𝗾𝘂𝗲 𝗰𝗼𝗻𝗵𝗲𝗰𝗲𝗺 𝗮 𝗲𝘀𝘁𝗿𝘂𝘁𝘂𝗿𝗮, 𝗮 𝗵𝗶𝘀𝘁ó𝗿𝗶𝗮 𝗲 𝗮 𝗿𝗲𝗮𝗹𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲 𝗱𝗼 𝗣𝗮𝗿𝘁𝗶𝗱𝗼, 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝗽𝗿𝗶𝘃𝗶𝗹𝗲𝗴𝗶𝗮𝗿 𝗽𝗲𝘀𝘀𝗼𝗮𝘀 𝗰𝘂𝗷𝗮 𝗽𝗿𝗶𝗻𝗰𝗶𝗽𝗮𝗹 𝗰𝗿𝗲𝗱𝗲𝗻𝗰𝗶𝗮𝗹 𝗽𝗮𝗿𝗲𝗰𝗲 𝘀𝗲𝗿 𝗮 𝗽𝗿𝗼𝘅𝗶𝗺𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲 𝗽𝗲𝘀𝘀𝗼𝗮𝗹 𝗰𝗼𝗺 𝗮 𝗹𝗶𝗱𝗲𝗿𝗮𝗻ç𝗮?

A UNITA dispõe de quadros capazes, experientes e comprometidos, que ao longo dos anos têm trabalhado tenazmente para fortalecer o Partido e defender os seus interesses. 𝗗𝗲𝘀𝘃𝗮𝗹𝗼𝗿𝗶𝘇𝗮𝗿 𝗲𝘀𝘀𝗲𝘀 𝗾𝘂𝗮𝗱𝗿𝗼𝘀, 𝘀𝗼𝗯𝗿𝗲𝘁𝘂𝗱𝗼 𝗻𝘂𝗺 𝗽𝗲𝗿í𝗼𝗱𝗼 𝗲𝗺 𝗾𝘂𝗲 𝗼 𝗽𝗮í𝘀 𝘀𝗲 𝗲𝗻𝗰𝗮𝗺𝗶𝗻𝗵𝗮 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝗮𝘀 𝗲𝗹𝗲𝗶çõ𝗲𝘀 𝗱𝗲 𝟮𝟬𝟮𝟳, é 𝘂𝗺𝗮 𝗱𝗲𝗰𝗶𝘀ã𝗼 𝗾𝘂𝗲 𝗺𝗲𝗿𝗲𝗰𝗲 𝗿𝗲𝗳𝗹𝗲𝘅ã𝗼 𝗲 𝗲𝘀𝗰𝗿𝘂𝘁í𝗻𝗶𝗼 𝗶𝗻𝘁𝗲𝗿𝗻𝗼.

Não se trata de atacar pessoas individualmente. Trata-se de questionar critérios e opções políticas que podem ter consequências para o futuro da organização.

Se a escolha dos representantes do Partido nos órgãos eleitorais continuar a obedecer mais a critérios de confiança pessoal do que de competência, experiência, lealdade institucional e compromisso com a UNITA, estaremos perante um caminho perigoso.

É 𝗽𝗼𝗿 𝗶𝘀𝘀𝗼 𝗾𝘂𝗲 𝗺𝘂𝗶𝘁𝗼𝘀 𝗺𝗶𝗹𝗶𝘁𝗮𝗻𝘁𝗲𝘀 𝗰𝗼𝗺𝗲ç𝗮𝗺 𝗮 𝗾𝘂𝗲𝘀𝘁𝗶𝗼𝗻𝗮𝗿 𝘀𝗲 𝗱𝗲𝘁𝗲𝗿𝗺𝗶𝗻𝗮𝗱𝗮𝘀 𝗲𝘀𝗰𝗼𝗹𝗵𝗮𝘀 𝗻ã𝗼 𝗲𝘀𝘁𝗮𝗿ã𝗼, 𝗮𝗳𝗶𝗻𝗮𝗹, 𝗮 𝘀𝗲𝗿𝘃𝗶𝗿 𝗶𝗻𝘁𝗲𝗿𝗲𝘀𝘀𝗲𝘀 𝗮𝗹𝗵𝗲𝗶𝗼𝘀 𝗮𝗼𝘀 𝗱𝗼 𝗣𝗮𝗿𝘁𝗶𝗱𝗼. 𝗦𝗲 𝗮 𝗰𝗵𝗮𝗺𝗮𝗱𝗮 𝗮𝗴𝗲𝗻𝗱𝗮 𝗱𝗼𝘀 “𝗺𝗮𝗿𝗶𝗺𝗯𝗼𝗻𝗱𝗼𝘀” 𝗽𝗿𝗲𝘁𝗲𝗻𝗱𝗲 𝗲𝗻𝗳𝗿𝗮𝗾𝘂𝗲𝗰𝗲𝗿 𝗮 𝗨𝗡𝗜𝗧𝗔 𝗽𝗼𝗿 𝗱𝗲𝗻𝘁𝗿𝗼, 𝗻𝗮𝗱𝗮 𝘀𝗲𝗿𝗶𝗮 𝗺𝗮𝗶𝘀 𝗰𝗼𝗻𝘃𝗲𝗻𝗶𝗲𝗻𝘁𝗲 𝗱𝗼 𝗾𝘂𝗲 𝘂𝗺𝗮 𝗹𝗶𝗱𝗲𝗿𝗮𝗻ç𝗮 𝗾𝘂𝗲 𝗱𝗲𝘀𝘃𝗮𝗹𝗼𝗿𝗶𝘇𝗲 𝗼𝘀 𝘀𝗲𝘂𝘀 𝗽𝗿ó𝗽𝗿𝗶𝗼𝘀 𝗾𝘂𝗮𝗱𝗿𝗼𝘀 𝗲 𝗿𝗲𝗽𝗶𝘁𝗮 𝗲𝗿𝗿𝗼𝘀 𝗷á 𝗰𝗼𝗺𝗲𝘁𝗶𝗱𝗼𝘀.

As eleições de 2027 não podem ser tratadas como uma experiência. A UNITA precisa de competência, unidade, transparência e, acima de tudo, de escolhas que coloquem os interesses do Partido acima das amizades e conveniências pessoais.

Os erros de 2020 deveriam servir de lição. Repeti-los em 2027 poderá custar muito mais caro.

𝓡𝓲𝓽𝓪 𝓙𝓾𝓵𝓲ã𝓸
18.08.2026

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