CIVICOP anuncia conclusão das análises de amostras biológicas de 55 familiares
A Comissão para a Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos (CIVICOP) registou, até o passado dia 23 do corrente mês, um total de 55 familiares que compareceram ao posto montado na centralidade do Kilamba e no Laboratório Central de Criminalística para a colecta de amostras biológicas para identificação dos seus entes queridos.
Essas amostras, segundo Manuel Halaiwa, membro da CIVICOP, são correspondentes a 52 vítimas encontradas no Cemitério da Mulemba, mas, pela previsão das vítimas, espera-se que o número de famílias seja maior.
Manuel Halaiwa apelou às famílias das vítimas encontradas no Cemitério do 14, cujos nomes foram divulgados na edição do dia 9 deste mês do Jornal de Angola, a comparecerem nos postos de recolha de amostras montados no Kilamba e no Laboratório de Criminalística, para procederem à colecta das amostras biológicas. “As famílias são determinantes para a formação dos perfis”, declarou Manuel Halaiwa, para quem só com isso é possível a correcta identificação das ossadas encontradas mediante as amostras comparativas das famílias.
As famílias cujos nomes não constam dessa lista, mas que os seus familiares também desapareceram por altura dos incidentes do 27 de Maio, também devem comparecer aos locais de colectas de amostras, sublinhou Manuel Halaiwa, informando que os dois postos de colectas estão a funcionar todos os dias, em horário normal de expediente.
Exposição com artigos usados pelas vítimas
Além do posto de colecta de amostras biológicas, está, igualmente, montada, na tenda do Kilamba, uma exposição com artigos diversos usados pelas vítimas no dia em que desapareceram do seio familiar.
A exposição, que deverá permanecer durante três semanas naquele local, tem como objectivo ajudar as famílias a identificar, por meios dos artigos expostos, os restos mortais dos seus entes queridos.
Mais uma vítima sepultada no Benfica
As ossadas de Pedro Martins de Sousa, do grupo das nove vítimas de conflitos políticos até agora identificadas no quadro do processo de exumação de 625 restos mortais encontrados numa vala comum do Cemitério da Mulemba, também chamado por 14, em Luanda, foram a enterrar, ontem, no Benfica.
Os restos mortais de Pedro de Sousa não foram sepultados no dia 23 deste mês, durante a cerimónia de enterro das cinco primeiras vítimas deste processo, por “necessidade familiar”, esclareceu Manuel Halaiwa, que falou ao Jornal de Angola na qualidade de membro da Comissão para a Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos (CIVICOP).
À semelhança do que foi com as cinco primeiras vítimas, a família de Pedro Martins de Sousa também beneficiou de todo o apoio da CIVICOP para realizar uma cerimónia fúnebre condigna.
A missa de corpo presente aconteceu, igualmente, na tenda montada no Largo Papa Leão XIV, no Kilamba, onde se encontra montado um posto de atendimento da CIVICOP para a recolha de amostras biológicas para identificação de mais pessoas.
O sepultamento das três vítimas em falta, do grupo das nove, está a depender das famílias, que, a qualquer momento, podem sugerir a data e o local do enterro. “A CIVICOP respeita os valores e princípios que as famílias observam, quer do ponto de vista cultural, quer do ponto de vista religioso ou de outra natureza”, ressaltou Manuel Halaiwa, assegurando que, tão logo exista uma data proposta pelas famílias, a CIVICOP vai prestar todo o tipo de apoio para a realização das exéquias.
Apesar de as autoridades terem escolhido o Cemitério do Benfica para o sepultamento das vítimas encontradas na Mulemba, não há impedimento para que as vítimas sejam enterradas em outros lugares sugeridos pelas famílias, garantiu Halaiwa. “Na mesma, a CIVICOP vai prestar todo o apoio necessário para que a cerimónia seja realizada com a dignidade que todos os outros receberam”, declarou.
