Presidente João Lourenço recebe Durão Barroso no Palácio Presidencial
O antigo mediador do processo de paz de Angola, o português Durão Barroso, considerou esta segunda-feira, em Luanda, os Acordos de Bicesse um marco decisivo para a preservação da unidade do Estado angolano.
Em declarações à imprensa, à saída de uma audiência a si concedida pelo Presidente da República, João Lourenço, disse que o processo permitiu também a realização das primeiras eleições livres e a criação das bases para a consolidação da paz no país.
Durão Barroso está em Angola para participar no lançamento de uma obra dedicada aos Acordos de Bicesse, cuja cerimónia decorre terça-feira, sob os auspicioso do Ministério das Relações Exteriores.
Segundo o antigo primeiro-ministro português, a publicação reúne testemunhos e reflexões de diversas personalidades ligadas ao processo de negociação da paz, entre representantes do Governo angolano, da UNITA e de Portugal.
A obra, coordenada por Sia Neto, inclui prefácios do ministro das Relações Exteriores de Angola, Téte António, e do ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Rangel.
De acordo com Durão Barroso, a publicação pretende servir de registo histórico para as futuras gerações interessadas em compreender o percurso que conduziu Angola às primeiras eleições multipartidárias e aos esforços de pacificação nacional.
Durante o encontro com o Chefe de Estado angolano, o político português disse terem analisado questões relacionadas com a situação política e económica do país, os desafios geopolíticos internacionais e os seus impactos na economia mundial, com destaque para o sector energético.
Sublinhou, igualmente, o papel de Angola no panorama energético internacional, considerando o país um actor relevante à escala regional e global.
Ao recordar o processo que conduziu às negociações de Bicesse, Durão Barroso explicou que iniciou contactos exploratórios em 1990, quando exercia funções de secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros de Portugal, após receber do então Presidente da República, José Eduardo dos Santos, a missão de estabelecer contactos com a UNITA.
Referiu que os entendimentos alcançados permitiram afastar cenários de divisão territorial de Angola e preservar a unidade nacional, numa altura em que algumas propostas internacionais defendiam soluções de separação do país.
“Apesar de todas as dificuldades e do regresso da guerra após as eleições, os Acordos de Bicesse garantiram a unidade do Estado angolano, permitiram a realização das primeiras eleições livres reconhecidas pelas Nações Unidas e lançaram as bases para a unificação das Forças Armadas e para a consolidação da paz”, afirmou.
Durão Barroso manifestou ainda orgulho pelo contributo de Portugal no processo de paz angolano e homenageou várias personalidades envolvidas nas negociações, sobretudo as já falecidas.
O diplomata mostrou-se satisfeito por constatar que Angola vive actualmente em paz e manifestou o desejo de ver o país prosseguir o caminho de estabilidade e desenvolvimento.AFL/ART
