Governo garante reposição da ponte ferroviária sobre o rio Cavaco até Maio de 2027
A reposição da ponte ferroviária sobre o rio Cavaco, destruída pelas enxurradas registadas em Abril deste ano, deverá estar concluída até Maio de 2027, com vista a normalização da circulação ferroviária interurbana entre as cidades de Benguela e Lobito.
A garantia foi dada esta terça-feira pelo director para Infra-estrutura Ferroviária da Lobito Atlantic Railway (LAR, concessionária do Corredor do Lobito), Albino Ganhana, durante a visita de constatação efectuada ao local pelo ministro dos Transportes, Ricardo D’Abreu.
Segundo o responsável, a ponte do Cavaco constitui actualmente o ponto mais crítico em termos de danos ao longo da linha ferroviária, depois de o aumento abrupto do caudal do rio ter provocado o colapso de quatro dos sete vãos da infra-estrutura, com cerca de 124 metros de comprimento.
Albino Ganhana explicou que a obra se encontra numa fase de estudo prévio, visando a realização de análises de engenharia, identificação das falhas estruturais e elaboração do projecto definitivo para a reposição da ponte.
“Em termos de previsão, temos um macro cronograma até Maio de 2027, mas trata-se ainda de uma fase preliminar, sujeita aos resultados dos estudos e das análises técnicas que estão a ser efectuadas no local”, afirmou.
Referiu que será feita uma avaliação detalhada da integridade estrutural dos pilares, apesar de, numa primeira observação visual, existirem indícios de que parte da estrutura poderá manter-se intacta.
Acrescentou que deverão igualmente ser recolhidas amostras para confirmar as condições estruturais da ponte, bem como proceder ao dimensionamento e instalação de novas vigas em T.
Neste momento, indicou a fonte, alguns maciços de encabeçamento apresentam fissuras e perda de material, situação que exige avaliação técnica aprofundada.
De acordo com o responsável, o colapso da infra-estrutura foi agravado pela acumulação de detritos transportados pelas águas, incluindo um contentor que embateu na ponte e facilitou o arrastamento dos tabuleiros.
Albino Ganhana admitiu a possibilidade de o novo projecto prever a elevação da cota da ponte (alturaentre a estrutura e o nível da água), de modo a reduzir os riscos associados a futuras cheias.
“Esta ponte encontra-se numa cota relativamente baixa e os estudos vão determinar se será necessário elevar a rasante da linha para prevenir ocorrências semelhantes no futuro”, explicou.
O director de Infraestrutura Ferroviária da LAR sinalizou que os trabalhos terão em conta factores relacionados com a secção hidráulica e o comportamento das cheias extremas, numa perspectiva de adaptação às actuais condições climáticas.
