NACIONAL

Força Aérea Nacional comemora mais um aniversário

Durante cinco décadas, a Força Aérea Nacional (FAN) foi moldada por histórias de guerra, sacrifício e reconstrução, contadas por homens e mulheres que colocaram a defesa do país acima da própria vida, fazendo jus à bandeira e pátria que um dia juraram defender.

Dos combates no terreno às missões de resgate e salvamento, três gerações de oficiais revelaram como a entrega à pátria e a transmissão de valores continuam a ser o alicerce de uma instituição que celebra, hoje, 50 anos de existência.

Os testemunhos dos brigadeiros reformados Fernando Kinanga, Francisco Miguel António “Salora” e de Helena Cardona, ainda no activo, revelam um ponto comum que atravessa gerações e em que se destacam a entrega total à pátria e a responsabilidade de transmitir o legado às gerações novas e futuras.

O oficial reformado Fernando Kinanga, hoje com 78 anos, serviu a Força Aérea Nacional durante 42 anos, grande parte deles em contexto de guerra, tal como descreveu.

Tendo ocupado o cargo de comandante da Região Aérea Norte, o brigadeiro descreveu a sua carreira como uma vida de desafios permanentes, marcada pela presença directa no combate, pelo sacrifício e pela dor de ver companheiros a perderem a vida em batalhas.  

Fernando Kinanga revelou que entrou para as Forças Armadas por livre e espontânea vontade, movido pela necessidade de defender o país num período em que Angola vivia um conflito armado interno e externo.  

“Nascemos e crescemos numa época em que o país vivia uma guerra séria. Então era preciso, com a nossa idade, alinharmo-nos. Não fui resgatado, por livre e espontânea vontade, fui e inscrevi-me para fazer parte da tropa”, explicou.

Para Kinanga, o maior contributo que deixou foi o exemplo, a demonstração prática de que servir a pátria exige coragem, entrega e dedicação pessoal.

“O quadro das FAA deve-se entregar para a defesa da pátria, é necessário ter coragem e imitar os feitos do passado”.

Recentemente homenageado pelos feitos, o oficial reformado disse que o acto representa para si o reconhecimento de uma vida dedicada não a interesses individuais, mas à defesa de Angola.

Já o brigadeiro Francisco Miguel António, conhecido por Salora, entrou para as Forças Armadas, antiga FAPLA, aos 18 anos, em plena luta de libertação nacional. Movido pelo entusiasmo, patriotismo e consciência política, participou em momentos decisivos da história do país, desde a libertação de Malanje à defesa de Kifangondo e à consolidação das forças militares após a independência.

Para além da componente operacional, o oficial agora reformado destaca o seu contributo político e comunicacional, como comissário político, redactor e mobilizador das tropas, ajudando a criar tradições que transitaram das FAPLA para as actuais FAA. 

“Todo esforço valeu a pena pela Independência do país, que é o objectivo máximo e primário da luta e agora o país bom e seguro que temos para viver”, disse, acrescentando que o oficial precisa de ser disciplinado, abnegado, valente e corajoso.  

Para ele, a unificação das Forças Armadas foi determinante para o fim da guerra e para a construção da paz.  

Actualmente com 70 anos, a homenagem que recebe da instituição que viu crescer, simboliza a valorização do empenho, da dedicação e da entrega de uma geração que lutou para garantir a independência e a soberania de Angola.

Valores que atravessam gerações

Representando o presente e a continuidade, a brigadeira Helena Cardona, chefe da Direcção de Saúde da Força Aérea Nacional, soma mais de 38 anos de serviço activo. A sua experiência reflecte uma FAN já mais estruturada e profissional, onde a missão se estende para além do combate, incluindo o salvamento de vidas, evacuações médicas e operações de resgate.

Para a oficial superior, os momentos mais marcantes da sua carreira estão ligados precisamente a situações críticas, nas quais a Força Aérea cumpre o seu papel humanitário e operacional. Valores como firmeza, lealdade, confiança e foco definem, segundo a brigadeira, o perfil de um bom oficial, num contexto em que a FAN continua a evoluir e modernizar-se. 

Apesar das diferenças de época, função e contexto, os três percursos convergem numa mesma essência: servir Angola com honra, disciplina e sacrifício. Da guerra à paz, da fundação à modernização, a Força Aérea Nacional construiu-se como uma obra colectiva, sustentada pelo esforço de várias gerações.

As homenagens prestadas não são apenas actos simbólicos, mas um reconhecimento de que o presente da instituição assenta no legado de quem deu tudo pelo país. Aos mais novos, fica a responsabilidade de preservar essa herança e de fazer melhor, garantindo que a missão de servir a pátria continue a unir passado, presente e futuro da Força Aérea Nacional. 

Independentemente da patente, da época ou da função, o que une estas figuras da Força Aérea Nacional é a mesma essência: servir Angola com entrega total, construir instituições em tempos difíceis e garantir que o legado não se perca nas gerações futuras.

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