País imuniza mais de 13 milhões de crianças
O país imunizou 13.7 milhões de crianças depois da massificação de vacinação no âmbito da campanha nacional contra a pólio, que teve duas fases, tendo a primeira ocorrida de 15 a 17 de Agosto com 6.5 milhões de vacinas administradas e a segunda, de cinco a sete de Setembro com 7.2 milhões de crianças imunizadas, resultando em mais de 95 por cento de crianças menores de cinco anos vacinadas, informou a Coordenadora do Programa Nacional de Imunização, Alda de Sousa.
Segundo a responsável, esse evento ocorreu após o país registar 21 novos casos da estirpe poliovírus tipo 2, em 2024, nas províncias de Benguela, Bié, Lunda-Norte, Lunda- Sul, Cuanza-Sul, Cubango, Huambo, Huíla, Luanda e Moxico, entretanto, a doença é considerada estável e controlada no país.
Para a detecção do vírus, disse, foi feito o isolamento de crianças com paralisia flácida e aguda, bem como no meio ambiente, pois, nem todas as províncias tiveram vírus em humanos, como é o caso de Luanda onde foi encontrado o vírus apenas em esgotos. De acordo com Alda de Sousa, esse facto ocorreu devido a alta taxa de cobertura de vacinação da província.
A província de Benguela, esclareceu, por ser a primeira província que notificou casos de pólio, realizou, antes da campanha nacional, a vacinação em duas rondas, imunizando mais de 550 mil crianças, e após o surgimento de mais casos, em outras províncias, houve a implementação da campanha nacional de vacinação.
Actualmente, frisou, a cobertura de vacinação em todo o país está acima de 80 por cento, devido à vacinação de rotina.
Erradicação do vírus
Angola, disse Alda de Sousa, é um dos países que tem uma vasta experiência nesse processo, pois, em 2001, o país conseguiu eliminar o vírus autóctone da pólio, ou seja, de origem local. Após aquele ano, foram notificados casos importados do vírus em 2005, vindo da Índia e no ano seguinte, 2006, o mesmo vírus foi reintroduzido com a estirpe tipo 3, e com a campanha de vacinação, a situação foi controlada.
Em 2011, continuou, o vírus voltou, dessa vez com origem no Congo, além da Índia, e levou mais tempo para o corte de circulação, chegando ao ponto de ter uma epidemia em Cabinda em adultos que nunca foram vacinados, e no ano de 2015, depois de uma verificação feita a nível de observadores externos, se comprovou que Angola já estava há mais de 3 anos sem notificação do vírus da pólio em humanos. E daí se montou uma vigilância ambiental, onde se fez recolhas de amostras das águas residuais dos esgotos e se constatou que também não havia o vírus, nem no meio ambiente, nem em humanos.
E, acrescenta, recentemente com os 21 novos casos registados, da estirpe do vírus tipo 2, o país voltou a estar com o vírus em circulação, proveniente da República Democrática do Congo. Porém, realçou, após as duas rondas nacionais de vacinação, até o momento não se diagnosticou mais casos.
Desafio da vacinação
Alda de Sousa disse que muitos pais não asseguram a vacinação dos filhos, mesmo após as campanhas de imunização colectiva, alguns deles não levam as crianças aos postos de vacinação, outros negam-se a receber as equipas de Saúde.
“Muitos pais não têm consciência de que vacinar é prevenir, que prevenir é mais barato e eficaz do que tratar. Só procuram os hospitais quando a criança adoece”.
Por outro lado, referiu que existe uma taxa elevada de interrupção do calendário vacinal em crianças que nunca receberam nenhuma vacina ou que apanharam apenas as vacinas no dia do nascimento e não regressam às unidades de saúde para receberem as doses seguintes.
“Essas crianças continuam desprotegidas contra doenças como a poliomielite”.
Embora as campanhas massivas ajudem, explicou, a vacinação de rotina ainda enfrenta fragilidades, o desafio consiste em manter coberturas altas e regulares fora dos períodos de campanha e “isso requer coordenação entre serviços de saúde, mobilização comunitária e adesão contínua das famílias”.
Benefícios da vacinação
De acordo com a coordenadora, a vacinação é a única forma de proteger as crianças contra a poliomielite, porque ela fortalece o sistema imunológico e ajuda a prevenir complicações da doença.
Quando uma criança é vacinada, disse, o seu organismo aprende a reconhecer e combater o vírus da doença sem precisar de adoecer, assim a probabilidade da criança adoecer é muito menor e mesmo que adoeça, as manifestações são mais leves, e as complicações graves ou mortes praticamente não ocorrem.
As campanhas de vacinação em massa, avançou, ajudam a criar imunidade, pois, quando a maioria das crianças está vacinada, o vírus tem dificuldade de circular e isso protege também aquelas que ainda não foram vacinadas ou que têm imunidade fraca.
A alerta da coordenadora é que também as crianças vacinadas anteriormente precisam de doses de reforço para aumentar e prolongar a imunidade, a fim de evitar que o organismo perca a protecção com o tempo.
“A vacinação previne doenças antes que aconteçam, o que é muito mais barato e simples do que tratar depois que a criança adoece, prevenir é poupar sofrimento, tempo e recursos”, salientou.
Transmissão e sintoma
A poliomielite, disse, frequentemente se transmite pela via fecal-oral por objectos, alimentos e água contaminados com fezes de portadores do vírus, que de forma directa ou indirecta acabam por entrar na boca de outra pessoa.
As medidas de higiene para o caso da pólio, frisou, também são essenciais para evitar a transmissão, como lavar bem as mãos com água e sabão antes das refeições e depois de usar a casa de banho, lavar e desinfectar frutas, legumes e utensílios antes de os consumir e manter o ambiente limpo, bem como evitar defecar ao ar livre.
Quanto aos sintomas, Alda de Sousa afirmou que a maioria das vezes surge como apenas uma febre comum e dor de cabeça nos primeiros dois dias, e no terceiro, a criança evolui para paralisia.
“A doença instala-se de forma rápida, onde a criança estava bem e de repente deixa de andar ou mexer uma perna ou um braço”, destacou, alertando que nem todas as crianças infectadas apresentam sinais, algumas podem ter o vírus sem manifestar sintomas e mesmo assim transmitem a doença a outras pessoas.
Quando uma criança é diagnosticada com poliomielite, referiu, as equipas de saúde não se limitam a tratar esse caso isolado, elas precisam de verificar se o vírus também circula na comunidade.
Por isso, avançou, os técnicos visitam a casa da criança infectada e recolhem amostras de outras crianças que vivem no mesmo quintal ou arredores, depois, vão também a outras casas da comunidade para recolher amostras adicionais e essas amostras são enviadas ao laboratório, onde os especialistas analisam se existe presença do vírus da pólio.
Quando o resultado dá positivo, disse, não quer dizer automaticamente que a criança está doente, pode significar apenas que ela teve contacto com o vírus, sobreviveu ali por um tempo, mas não causou a doença, e explica que isso acontece porque nem todas às pessoas infectadas desenvolvem sintomas.
E, revela que, de cada 100 a 200 pessoas infectadas, apenas 1 % desenvolve a forma paralítica da poliomielite.
Alda de Sousa detalhou que o período em que o vírus é expelido nas fezes vai desde o início dos sintomas até cerca de 14 dias. Depois desse período, a quantidade de vírus que sai do corpo diminui e de acordo com alguns estudos, o vírus pode continuar a ser eliminado até 60 dias após a infecção.
Vacinação é um direito da criança
A coordenadora do Programa Nacional de Imunização apelou aos pais e encarregados de educação a garantirem a vacinação dos filhos, pois a imunização é um direito da criança e uma responsabilidade de todos.
Alda de Sousa sublinhou ainda que a vacina é gratuita, segura e essencial para prevenir a doença.
A responsável concluiu que o Ministério da Saúde tem feito a sua parte, disponibilizando vacinas em todas as unidades sanitárias do país, e que cabe aos profissionais de Saúde e às famílias garantir que nenhuma criança fique de fora.
“Os profissionais devem assegurar o atendimento e a oferta dos serviços, mesmo nas comunidades de difícil acesso. Por sua vez, os pais devem levar as crianças às unidades sanitárias e, caso não consigam vaciná-las num dia, devem regressar no dia seguinte”, reforçou.
POR: JA ONLINE
