ECONOMIAINTERNACIONAL

Angola com “condições favoráveis” para integrar os BRICS

Poderá Angola juntar-se ao grupo dos BRICS? A pergunta ganha força após a participação do Presidente João Lourenço na mais recente cimeira do bloco, no Rio de Janeiro.

Na opinião de analistas ouvidos pela DW, Angola reúne todos os ingredientes necessários para integrar o conjunto de economias emergentes que vem ganhando peso no cenário global.

Para João Lourenço, que também exerce actualmente a presidência rotativa da União Africana, os BRICS representam uma oportunidade concreta para o desenvolvimento de África.

Segundo o chefe de Estado, o continente está diante de “uma possibilidade real” de, através do bloco e das suas instituições, obter financiamento essencial, desenvolver infra-estruturas e responder a desafios estruturais nas áreas da agricultura, saúde, educação, ciência e tecnologia, energia, transportes e telecomunicações.

Oportunidade para África

Apesar disso, alguns especialistas lembram que o continente africano tem tido um papel mais secundário nas decisões globais. João Jung, professor de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), observa que, embora muitos países africanos integrem organismos multilaterais, poucos conseguem alterar o equilíbrio geopolítico global.

“Mesmo as potências regionais africanas, como a África do Sul e a Nigéria, têm pouca capacidade de projeção de poder. Ainda assim, Angola é um país que vejo como um potencial novo membro dos BRICS, numa possível nova fase de expansão”, sublinhou o especialista.

Expansão dos BRICS

Criado pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, o grupo BRICS tem vindo a alargar o seu leque de membros. Desde o ano passado, passou a incluir Egipto, Irão, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Arábia Saudita e Indonésia — uma composição que reforça o peso do chamado “Sul Global” nas relações internacionais.

Durante o seu discurso na cimeira, João Lourençoreiterou esse alinhamento, defendendo que os BRICS podem desempenhar um papel crucial na construção de “um maior equilíbrio na discussão sobre os temas referentes à governação mundial, entre o Sul Global e os países desenvolvidos”.

O interesse de Angola em integrar os BRICS parece, assim, não ser apenas uma possibilidade, mas um reflexo de ambições políticas e económicas claras no contexto africano e global.

FONTE: ANGONOTICIAS.COM

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