NACIONAL

Reajuste do salário da função pública gera satisfação entre os trabalhadores do sector

Funcionários públicos de diferentes instituições do Estado, em Luanda, reagem com satisfação ao anúncio do reajuste dos salários, com o aumento de 25 por cento nos ordenados, aguardando com grande expectativa a sua implementação a partir do primeiro trimestre do ano em curso.

Maria Clara Santos, quadro do sector da Educação, disse ao Jornal de Angola que a medida vai fazer alguma diferença na vida das famílias, tendo em conta os custos actuais dos produtos da cesta básica.

 “Com o aumento dos preços dos alimentos e das contas de casa, precisava muito de uma melhoria no salário. Este reajuste traz um pouco mais de tranquilidade financeira”, afirmou.

Por sua vez, António Pereira enfatizou que a valorização salarial é essencial para a melhoria da prestação do serviço público e o incremento de 25 por cento eleva a motivação dos trabalhadores.

Os funcionários públicos em Luanda são unânimes em afirmar que o aumento salarial gera cautelas, devido aos elevados preços dos produtos da cesta básica, despesas ligadas à formação dos filhos, saúde familiar, viagens e outras necessidades.

Manuel Neto, professor, considera positiva a medida, mas defende, também , iniciativas voltadas à redução dos preços dos produtos da cesta básica

 “Todo o incremento é sempre bem-vindo, mas temos de olhar para os preços da cesta básica. Penso que, depois do acréscimo, o Executivo deve focar-se na redução desses preços, para que nós, funcionários públicos, tenhamos um alívio real”, sugeriu.

Joaquim do Rosário, técnico administrativo, ressaltou que o incremento salarial representa uma mais-valia para a classe trabalhadora, mas para um verdadeiro alívio nas despesas é essencial que o Governo encontre mecanismos para a estabilização e valorização da moeda nacional, o Kwanza.

Impacto e cautelas

O economista Carlos Ferrão disse ao Jornal de Angola que o aumento beneficia directamente as famílias que passam, gradualmente, a ganhar o poder de compra de bens essenciais, principalmente alimentação, despesas com a saúde e educação dos filhos.

Outro ponto mencionado tem que ver com a redução do endividamento das famílias, uma vez que com mais recursos, os funcionários públicos podem diminuir a dependência de empréstimos e crédito, com vista à obtenção da estabilidade social.

Carlos Ferrão alerta para a necessidade da observância de cautelas por parte dos beneficiários, sob pena de haver possíveis efeitos colaterais, justificando que o aumento da demanda por bens e serviços, por exemplo, pode gerar inflação.

 “Se os preços subirem rapidamente, o poder de compra obtido com o reajuste será corroído, anulando os benefícios esperados”, disse.

O aumento salarial, segundo Carlos Ferrão, tem o potencial de reduzir desigualdades sociais, principalmente para famílias de baixa renda, com possibilidades de investirem na Saúde, Educação e Habitação, melhorando significativamente o padrão de vida.

No campo da Educação, o economista explica que o reajuste ajuda a facilitar o acesso à escola e universidades de qualidade, além da compra de materiais didácticos e tecnológicos através de um investimento directo no futuro das crianças e no desenvolvimento profissional dos adultos.

Fonte: Jornal de Angola Online

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