Kwenda estimula agro-pecuária e pesca no Cuando Cubango
A prática da agropecuária e pesca no município do Rivungo, a cerca de 700 quilómetros da cidade de Menongue, província do Cuando Cubango, está a ganhar maior notabilidade com os beneficiários do programa de transferências monetárias “Kwenda”, que estão a apostar nestes sectores para o seu sustento e das suas famílias.
Passado um ano desde que os 3.797 agregados familiares beneficiaram de quatro pagamentos simultâneos no quadro das transferências sociais monetárias, são notáveis os ganhos que a população teve com a implementação do programa.
Mono Oliveira, de 35 anos de idade e pai de dois filhos, foi um dos beneficiários do Kwenda, em Setembro de 2023, no município do Rivungo.
Mestre em construção de casas de pau-a-pique, desde a adolescência, explicou que dos 132 mil kwanzas que recebeu, parte do valor serviu para adquirir alimentação e a outra investiu na compra de alguns instrumentos agrícolas e sementes.
Actualmente, a principal aposta está na produção de milho, tomate, repolho e couve, com resultados até agora animadores, segundo o beneficiário do Kwenda.
Com apenas 70 mil kwanzas investidos na produção de hortícolas, num espaço de um hectare, Mono Oliveira já conseguiu arrecadar um rendimento de cerca de 300 mil kwanzas.
Sementes provenientes da Zâmbia
Para este ano, prevê aumentar a área de cultivo, tendo como meta um rendimento anual acima de 800 mil kwanzas.
“O tipo de sementes que adquirimos na Zâmbia é diferente e de boa qualidade, em relação aquelas que são comercializadas a nível nacional, porque as mesmas adaptam-se com mais facilidade aos solos do município do Rivungo, que faz fronteira com a localidade zambiana do Shangombo”, disse.
Mono Oliveira informou que uma sementeira pode produzir mais de 20 tomates numa única planta, permitindo obter muita produção em pouco espaço de tempo.
Devido ao aumento da produção, empregou dois jovens que lhe ajudam na preparação da terra, sementeira, rega manual e colheita das hortícolas.
Em relação às vendas, afirmou que o investimento é rentável. Actualmente, uma caixa de tomate na sede municipal do Rivungo custa 15 mil kwanzas e um repolho de 800 gramas é vendido a 700 kwanzas.
Além de ser comercializado no Rivungo, o produto tem como principal destino a sede municipal de Mavinga, a cerca de 200 quilómetros, porque naquela região a produção de hortícolas é escassa.
“Graças ao programa Kwenda, as demais preocupações relacionadas com o sustento da família, com maior realce para a compra de roupa, calçado, custear os estudos dos meus filhos deixaram de ser um grande problema financeiro”, disse.
Criação de animais e pesca
Isaías Bento, de 32 anos de idade e pai de quatro filhos, é um outro beneficiário do Programa Kwenda no município do Rivungo. Com o valor recebido, adquiriu dois caprinos, rede de pesca e sementes agrícolas.
“Quando a minha mulher recebeu os 132 mil kwanzas em nome da família, chegámos à conclusão que deveríamos comprar um casal de cabritos, rede para a pesca no rio Cuando e algumas sementes de milho e feijão, para não dependermos do apoio constante do Governo”, contou.
Em relação aos caprinos, um ano depois, a quantidade de animais se multiplicou de dois para quatro. No que toca à pesca fluvial, mensalmente consegue pescar 200 quilos de peixe do tipo tilápia e tigre, que serve tanto para o consumo como para comercialização na vizinha República da Zâmbia.
Com base nas vendas do peixe, Isaías Bento conseguiu comprar, também, um vitelo para procriação. Sublinhou que a Zâmbia, além de estar mais próxima da sede municipal do Rivungo, é um mercado favorável para a produção do Rivungo.
Segunda fase do Kwenda
Isaías Bento disse que espera, com expectativa, a efetivação da segunda fase das transferências sociais monetárias, porque pretende reforçar o investimento na agropecuária, de forma a maximizar a criação de gado bovino, caprino, suíno e aves (galinhas e patos).
“Este é um projecto que esperamos contar com o envolvimento directo da Administração Municipal, sobretudo no apoio em técnicas de cultivo e reforço de inputs agrícolas, para aumentarmos as áreas de produção de cereais e hortícolas, para se acautelar os efeitos da estiagem”, enfatizou.
Formação dos filhos
Luísa Cassinda, de 59 anos de idade, viúva, também beneficiária do Programa Kwenda, apesar de ser camponesa desde à adolescência, sempre apostou na formação dos filhos.
Com os valores recebidos do Kwenda, Luísa Cassinda comprou a beca que permitiu ao filho fazer a defesa do trabalho de fim de curso no Instituto Técnico de Saúde, em Menongue, especialidade de Análises Clínicas. A outra parte adquiriu uma cabeça de gado.
A anciã considera que o dinheiro que recebeu foi bem investido, uma vez que o filho, de 30 anos, aguardava já há alguns anos o dinheiro para a compra da beca que lhe permitisse fazer a defesa e ingressar no mercado de trabalho.
A cabeça de gado bovino para a procriação é também um investimento próspero, porque vai permitir puxar a charrua de tracção animal no trabalho de preparar os campos de cultivo.
Avaliação positiva das transferências sociais monetárias
O chefe de Departamento Provincial do FAS-Instituto Desenvolvimento Local, Zeferino Cavalo, fez uma avaliação positiva dos resultados das transferências sociais monetárias no Rivungo, uma vez que os beneficiários, além de comprarem alimento, também investiram na agricultura, pesca e pecuária.
Zeferino Cavalo apontou que a estiagem prejudicou muito a produção de cereais como milho, feijão, massango e massambala, motivo pelo qual muitos camponeses que apostaram nestas culturas estão a enfrentar muitas dificuldades devido à falta de alimento.
Desde o início da implementação do Programa Kwenda no Cuando Cubango, em 2020, já beneficiaram cerca de 23.300 agregados familiares, tendo desembolsado mais de 3 mil milhões de kwanzas nos municípios do Cuito Cuanavale, Rivungo e Cuchi.
Antes do final do ano, disse, a instituição vai fazer o primeiro pagamento no quadro de transferências sociais monetárias a 11.181 agregados familiares cadastrados nos municípios do Cuangar, Calai e Dirico.
O responsável lembrou que o compromisso do Governo, através do FAS-Instituto de Desenvolvimento Local, é fazer com que as comunidades abrangidas pelo Kwenda se tornem autossuficientes, de forma a reduzir os níveis de pobreza e a situação de vulnerabilidade.
“Por esta razão, estamos a registar muitas famílias na província que estão a viver em melhores condições com o dinheiro que estão a receber do Kwenda. Alguns estão a expandir os seus negócios e a empregar muitas pessoas”, concluiu.
Fonte: Jornal de Angola Online
