Varíola do Macaco na RDC: Governo angolano reforça medidas de segurança nas fronteiras
A província do Zaire, uma das regiões do norte de Angola que partilha uma vasta fronteira com a RDC, fluvial e terrestre, apesar de não haver registos da doença, reforçou a vigilância epidemiológica, para detectar todo o caso suspeito.
O director do Gabinete Provincial da Saúde do Zaire, João Bernardo, assegurou que, após o comunicado, receberam orientações para reforçar as medidas de contenção da doença no território nacional.
“Temos orientações de manter as equipas de vigilância epidemiológica preparadas para atender eventuais casos, bem como informar e sensibilizar os habitantes das respectivas províncias”, avançou.
Nenhum registo
De acordo com João Bernardo, apesar do comunicado do Ministério da Saúde, não há necessidade de pânico da população, uma vez que, a nível da província congolesa do Congo Central, vulgarmente chamada Baixo Congo, não há, ainda, registo da Varíola dos Macacos, pelo que, a orientação é garantir a prontidão para qualquer eventualidade.
“Em função das orientações do Ministério, temos as equipas de prevenção preparadas. Mas, os contactos que temos tido com o responsável da Saúde do Matadi, Baixo Congo, na República Democrática do Congo, não há notificação de casos de Varíola dos Macacos”, explicou, acrescentando que o mesmo cenário é registado na província do Zaire. “Não temos nenhum caso suspeito”.
O director da Saúde lamentou o facto de haverem informações falsas de casos registados no Zaire. “Apesar disso, as equipas de resposta rápida de vigilância epidemiológica estão prontas”, avançou.
Precaução
Além da equipa provincial instalada junto à fronteira do Luvo, em Mbanza Kongo, João Bernardo informou que existem outras municipais, instaladas no Soyo, Nóqui e Kuimba, uma vez que a fronteira se estende até aquelas regiões.
“A nível destas regiões se houver um caso suspeito, as equipas vão colher as amostras e remeteremos a Luanda, ao laboratório central, onde vão ser analisadas para confirmar-se ou não, se trata de caso de Varíola dos Macacos”, avançou.
Uma Equipa de Informação e Comunicação (EIC), avançou, está, também, em acção para informar e educar os cidadãos sobre a doença, bem como as principais medidas de prevenção a ter em conta, tais como não consumir a carne de macacos, nem entrar em contacto com fluidos desses animais e lavar as mãos com frequência.
“Apelamos à população a não ter medo e não levar em consideração as informações falsas que estão a ser veiculadas. Os únicos que devem informar sobre a doença são as autoridades, através do Ministério da Saúde, fiquem tranquilos e tenham em conta as medidas de prevenção”, aconselhou.
Desconhecimento
Muitos habitantes da província do Zaire não conhecem a Varíola dos Macacos, também conhecida por MonkeyPox, por isso a necessidade das autoridades realizarem campanhas de informação e sensibilização sobre a doença e as medidas de prevenção a ter em conta.
Miguel Baú, de 40 anos, morador do bairro 4 de Fevereiro, em Mbanza Kongo, disse desconhecer a doença, uma vez que nunca ouviu falar da Varíola dos Macacos. Apesar disso, manifesta inquietação sobre a perigosidade da referida doença.
“Ouvi apenas pela televisão que a doença é perigosa, que em curto período de tempo pode provocar a perda de vidas humanas. Tão logo o Ministério da Saúde emitiu o comunicado, fiz algumas investigações na Internet,e por esta via, apercebi-me da perigosidade da Varíola dos Macacos e a forma como se manifesta”, frisou.
Como a província do Zaire faz fronteira com a RDC, disse, a doença é uma preocupação, tendo em conta a circulação de pessoas e bens nas localidades vizinhas dos dois países.
“Estou preocupado com o facto de Mbanza Kongo, ou melhor, toda a província do Zaire, partilhar a fronteira com a República Democrática do Congo. Na minha opinião, uma das medidas seria encerrar a fronteira”, acrescentou.
Província de Cabinda sem registo de casos
O secretário provincial da Saúde, em Cabinda, Rúben Mbuco, garantiu, ontem, que, até ao momento, não há registos de casos de varíola do macaco naquela região do país.
A informação que circula nas redes sociais, sobre o registo de dois casos de varíola do macaco, disse, é um falso alarme. “As imagens postas a circular nas redes sociais são de casos da doença registados no Leste da República Democrática do Congo”.
Tendo em conta a vasta fronteira que separa os dois países, o Ministério da Saúde, através da Secretaria Provincial de Cabinda, explicou, tem levado a cabo acções de sensibilização e de recomendações, para impedir que a doença se propague no país.
Rúben Mbuco explicou que as autoridades provinciais colocaram em prática um plano estratégico, que inclui a formação dos profissionais do sector e agentes da Polícia de Guarda Fronteiras, no sentido de estarem preparados para acudir e identificar eventuais casos da patologia.
Em caso de sintomas como dores musculares, ósseas e articulares, febres, dores de cabeça e presença de manchas estranhas na pele, alertou, as pessoas devem se dirigir à unidade hospitalar mais próxima.
Jaquelino Figueiredo | Mbanza Kongo| Pedro Vicente | Cabinda
FONTE: JORNAL DE ANGOLA ONLINE
