Ícone do site FOLHA9

Adalberto Costa Júnior apanhado a divulgar vídeo falso da CNN sobre confrontos no Uíge

O presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, viu-se envolvido numa nova polémica depois de ter divulgado, na sua página oficial do Facebook, um vídeo forjado que atribuía à CNN Internacional uma reportagem sobre os confrontos policiais no Uíge — peça que, afinal, nunca existiu. O episódio junta-se à já tensa polémica em torno dos incidentes registados na província no passado sábado, dia 8 de agosto.

Os confrontos ocorreram durante as comemorações do 92.º aniversário do fundador da UNITA, Jonas Savimbi, promovidos pelo maior partido da oposição angolana. Segundo relatos, a Polícia de Intervenção Rápida (PIR) cercou a sede provincial da UNITA, impedindo a realização do ato político, o que resultou numa carga policial sobre militantes do partido. Dezenas de pessoas morreram no confronto entre forças policiais e apoiantes da UNITA.

Nas horas seguintes aos confrontos, começou uma circular nas redes sociais um vídeo com o grafismo da CNN Internacional, com o título “A democracia em Angola continua a ser frágil”, que teria noticiado o episódio como um sinal de fragilidade democrática no país. Foi precisamente esse vídeo que o líder da UNITA decidiu partilhar, publicamente, com um comentário a questionar a imagem que Angola estaria a projetar para o mundo — dando, assim, força e complementando a um conteúdo fabricado.

Uma verificação de factos feita pelo Polígrafo África veio, porém, desmontar a publicação de Costa Júnior: essa reportagem nunca existe. A peça não consta em nenhuma plataforma oficial da CNN — nem no site, nem nas redes sociais do canal. Perante a exposição do erro, o próprio dirigente terá excluído a publicação de sua página, mas o estrago já foi feito: o vídeo contínuo a circular através de outras páginas, perfis pessoais e grupos de WhatsApp, muitos deles citando a partilha inicial do líder opositor.

Ao contrário do vídeo fabricado, houve cobertura real dos confrontos por parte dos órgãos de comunicação social portugueses. A SIC Notícias, citando a agência Lusa, publicou duas peças sobre o caso:

• Uma notificação de que a UNITA acusava a polícia de um atentado contra um dirigente do partido e de procurar a sua sede;

• Outra informação é que os confrontos entre a UNITA e a polícia no Uíge tinham feito 31 feridos, dez dos quais em estado grave, alegando que os agentes policiais foram disparados contra civis.

Segundo a mesma cobertura, Nelito Ekuikui, deputado e secretário-geral da Juventude da UNITA (JURA), terá avisado que o MPLA “vai exactamente encontrar o que procura” com a escalada dos incidentes, acrescentando que o partido deixaria de apelar à serenidade da população, como fez após os resultados eleitorais de 2022.

A verificação de factos distingue claramente dois planos: os confrontos no Uíge e os feridos da intervenção policial são reais e foram noticiados por fontes credíveis; já a alegada cobertura da CNN Internacional sobre o caso é uma montagem falsa — que só ganhou a dimensão que ganhou depois de ter sido validada e amplificada pelo próprio presidente da UNITA junto dos seus seguidores.

Sair da versão mobile