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Moradores de Cacuaco satisfeitos com o fim da cólera no Belo Monte e Paraíso

O ambiente é de puro alívio. Foram meses de sufoco, com o medo e a insegurança que o surto da cólera provocou a todos os moradores dos bairros, Belo Monte e Paraíso. O desabafo vem da jovem, Luísa António, de 29 anos, e mãe de dois filhos, que viu a sua vizinha próxima morrer por conta da doença.

A vendedora não poupou elogios às autoridades governamentais e principalmente as que estão ligadas ao sector da Saúde, destacadas nos Centros de Tratamento de Cólera (CTC), das duas comunidades, tidas como os epicentros da cólera, entre os meses de Janeiro e Fevereiro, período de início da epidemia.

Sorridente e muito acessível, Luísa António, que carregava o seu bebé às costas, disse ao Jornal de Angola que era quase impensável a cólera ter fim em menos de seis meses em Cacuaco, tendo em conta os registos de pessoas infectadas, nos dois bairros e a forma como se propagou por Luanda.

“Apesar de hoje estarmos a respirar de alívio, eu vi, e nunca vou me esquecer, a forma rápida que a cólera mata. Vi a minha vizinha morrer em casa”, disse indignada, no momento em que saía de um atendimento médico, na Feira da Saúde, realizada no bairro onde vive, na qual aproveitou para levar o bebé de um ano, que foi diagnosticado com paludismo.

O jovem Viegas João, que viu também o amigo falecer de cólera, enaltece o trabalho feito durante este período em que o surto assolou o bairro. “Agora, muito dificilmente vemos pessoas com a doença ou as ambulâncias a passarem apressadamente para levar os pacientes aos hospitais devido à cólera. Por isso, temos motivos para voltar a sorrir e confiar no trabalho dos nossos enfermeiros e médicos”, disse. 

A senhora Anita Bole vende banana assada com jinguba e bolachas, no espaço adjacente ao CTC de Belo Monte. A idosa disse ter acompanhado as idas e vindas da ambulância do Instituto Nacional de Emergências Médicas (INEMA), com inúmeras pessoas afectadas pela doença. Hoje, a mãe de sete filhos é da mesma opinião que o jovem Viegas João. “Não temos visto mais ninguém a aparecer com sintomas da doença”.

Para o jovem Manuel João, que mora a escassos metros do CTC de Belo Monte, a entrada de pessoas diagnosticadas com cólera era o prato do dia. Mas, conta, nos últimos dias, o cenário mudou para melhor. “Actualmente, no bairro já nem se fala da doença”.

Necessidades

As dificuldades de acesso à água potável, a falta de escolas e hospitais, constituem, actualmente, as principais preocupações da comunidade, que conta com cerca de 20 mil habitantes, segundo dados avançados pela coordenadora de Belo Monte, Manuela Cassule.

A líder comunitária, que manifestou satisfação pelo fim da cólera na circunscrição, descreveu o momento de tensão vivido naquele período, em que foram mobilizadas todas as forças juvenis, para ajudar na sensibilização da população, no sentido de acatar os apelos das autoridades, em relação à prevenção epidemiológica.

“Saíamos de casa às 4h00, para, de porta em porta, saber sobre o estado das pessoas e quando encontrássemos alguma situação semelhante ou não, accionávamos, de imediato, o INEMA e a pessoa era socorrida para os centros instalados”, lembrou, enquanto sorria de satisfação, pelo dever cumprido.

Acesso ao CTC

Durante a reportagem, a equipa do Jornal de Angola teve acesso fácil ao interior do CTC de Belo Monte, algo que muito raramente acontecia no momento de tensão e muita movimentação de pacientes, médicos e do pessoal, que garantia a manutenção e limpeza do interior das tendas, assim como devido às visitas regulares da equipa multissectorial de controlo da doença.

No momento, o CTC de Belo Monte tem internados apenas três pacientes, mas o chefe do centro, Zongo Garcia, garantiu que são casos importados de outros municípios, tendo em conta que há semanas não se registam casos de pessoas residentes na circunscrição.

Apesar de não apresentar números concretos sobre o processo que iniciou em Janeiro deste ano, o também tenente-coronel das Forças Armadas Angolanas FAA disse que já não há necessidade de manter o CTC de Paraíso, que conta com uma população estimada em 380 mil habitantes, onde restam apenas pequenas instalações provisórias, usadas para triagem.

Zongo Garcia que garantiu a existência de fármacos e todo o tipo de material gastável para o atendimento de eventuais casos, tendo em conta a disponibilidade da Central de Compras e Aprovisionamento de Medicamentos e Meios Médicos (CECOMA) e do Gabinete de Saúde de Cacuaco, que garantem o stock de forma regular.

“A cólera é um caso do passado, por isso a população já pode respirar de alívio, porque a situação está completamente controlada”, garantiu o chefe do CTC de Belo Monte.

FONTE: JA ONLINE

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