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Angola admitida no Conselho Mundial dos Diamantes Naturais

Angola passou a fazer parte, quarta-feira, por intermédio da SODIAM e da ENDIAMA, do Conselho Mundial dos Diamantes Naturais, organização que representa a indústria do mineral em todo o mundo.

A informação foi avançada à imprensa pelo ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, no termo da audiência que o Presidente da República, João Lourenço, concedeu, no Palácio da Cidade Alta, ao grupo de ministros responsáveis pelo sector Diamantífero do Botswana, da República Democrática do Congo (RDC), África do Sul e da Namíbia, que se deslocaram a Luanda para participar na mesa-redonda sobre diamantes naturais.

Diamantino Azevedo explicou que este acto constitui um passo importante para a salvaguarda dos interesses do país no que toca ao diamante natural.

A admissão de Angola ao NDC acontece numa altura em que os produtores de diamantes naturais se mostram preocupados pela crise que este mineral enfrenta no mercado internacional, devido à presença dos diamantes sintéticos, produzidos em laboratórios.

O ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás fez saber, em declarações avançadas, igualmente, à imprensa, na terça-feira, que a presença deste tipo de diamante no mercado internacional está a afectar o preço do mineral natural.

Para contornar esta situação, os principais produtores de diamante natural em África, nomeadamente o Botswana, Angola, RDC, África do Sul e Namíbia, as maiores empresas do sector e representantes das bolas de diamantes, reuniram-se, ontem, em Luanda, em formato de mesa-redonda.

O encontro, de carácter ministerial, teve como objectivo aprovar uma estratégia que permite a promoção, em conjunto, do mineral natural, apesar da presença do diamante sintético no mercado internacional.

Declaração de Luanda

A estratégia aprovada pelos principais produtores de diamante natural em África foi o documento denominado “Declaração de Luanda”.

Este instrumento, tal como explicou o ministro Diamantino Azevedo, passa, no essencial, por educar os consumidores finais, sobre a diferença entre o sintético e o diamante natural, assim como melhorar alguns aspectos que os consumidores finais querem ver da parte do diamante natural.

“Como a questão da ética, da transparência, da boa governação das empresas, de maior inclusão das comunidades e, também, da rastreabilidade dos diamantes, ou seja, os consumidores finais querem saber onde o diamante foi extraído, como foi comercializado e onde foi lapidado, até chegar às mãos do consumidor final”, ressaltou.

Diamantino Azevedo disse que antes da aprovação dessa estratégia cada país fazia a sua, de forma individual, tendo realçado o contributo da De Beers, que disse ser uma das empresas que mais contribui para essa estratégia de criar sustentabilidade para o diamante natural.

África é o coração do comércio de diamantes

O ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás afirmou, durante a intervenção na abertura da mesa-redonda ministerial dedicada à promoção e defesa dos diamantes naturais, que África é responsável por mais de 65 por cento da produção mundial de diamantes em bruto, tendo destacado que o continente é o coração pulsante do comércio mundial de diamantes. 

“A verdadeira medida da nossa riqueza não está na quantidade de quilates extraídos, mas, sim, no valor que retemos, nos futuros que construímos e na dignidade que preservamos”, disse o ministro.

 Diamantino Azevedo acrescentou, por outro lado, que, em Angola, os diamantes têm contribuído, de forma significativa, para a reconstrução nacional, financiamento para a construção de escolas, hospitais, estradas e sistemas de abastecimento de água.

Em 2024, o sector produziu mais de 14 milhões de quilates, 96 por cento da meta nacional demonstrando resiliência e compromisso.

Chefe de Estado informado sobre conclusões da mesa-redonda

O grupo de ministros responsáveis pelo sector Diamantífero do Botswana, da República Democrática do Congo (RDC), da África do Sul e da Namíbia, recebido, ontem, em audiência, pelo Presidente da República, no Palácio da Cidade Alta, informou ao Estadista angolano sobre as grandes conclusões saídas da mesa-redonda.

Em declarações à imprensa, no fim da audiência, a ministra dos Minerais e Energia da República do Botswana, Bogolo Joy Kenewendo, disse que a ocasião serviu, também, para agredecer ao Presidente João Lourenço pelo apoio prestado para a condução deste processo.

Quanto à Declaração de Luanda, Bogolo Joy Kenewendo, que falou em nome do grupo, adiantou que o instrumento vai permitir, entre outros, levar informações bem mais precisas aos consumidores, de tal forma que possa gerar recursos e receitas para o bem-estar das populações dos países produtores de diamantes naturais. “Trata-se, digamos, de um momento bastante importante, porque, há bastante tempo, era apenas a De Beers que fazia esta actividade, mas, hoje (ontem) entendemos que é importante envolvermo-nos.

Por isso, pela primeira vez, unimo-nos como uma única abordagem, unimos a nossa voz, no sentido da elaboração de uma estratégia bem conseguida de marketing de diamantes naturais”, atestou a governante do Botswana. 

FONTE: JA ONLINE

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