Angola prevê para 2025 uma queda no nível geral dos preços na ordem dos 16,6 por cento e um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 4,14 por cento.
Os dados foram apresentados ontem, em Luanda, pela secretária de Estado para o Orçamento, Juciene de Sousa, na cerimónia de apresentação do Relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre as perspectivas económicas da região da África Subsahariana.
Segundo a governante, Angola prevê igualmente que a dívida pública retome a trajectória descendente em 2025, atingindo 66,8 por cento do PIB, nível considerado sustentável para o mesmo ano.
De acordo com a governante, hoje mais do que nunca é preciso que as reformas sejam acompanhadas de uma visão estratégica e de uma implementação que seja eficaz para o contexto económico do mercado nacional.
“A pressão por resultados é alta, mas ao mesmo tempo as oportunidades são vastas, pelo que o grande desafio passa por transformar essas expectativas em realidade e para que isso aconteça é fundamental a colaboração entre Governos, sector privado e sociedade civil”, indicou a governante.
Juciene de Sousa assegurou que o tema “Reformas num contexto de grandes expectativas”, abordado durante a cerimónia, é extremamente relevante, pois reflecte tanto as esperanças, quanto as realidades que marcam a trajectória actual da África Subsahariana.
De acordo ainda com Juciene de Sousa, a maior parte dos países da região enfrenta desafios para implementar reformas para restabelecer a estabilidade macroeconómica.
“Os desequilíbrios internos e externos já começaram a diminuir, devido sobretudo aos ajustamentos de políticas, embora o panorama seja heterogéneo, uma vez que cerca de metade dos países da região ainda apresentam desequilíbrios elevados, conforme apresentado no relatório”, esclareceu a responsável. Segundo a governante, para a região da África Subsahariana foi projectado um crescimento de 3,6 por cento em 2024, mas com um nível alto de disparidade entre os países, uma vez que os países com mais diversidade nas suas economias crescem em cerca de 5 por cento do projectado, enquanto os exportadores de petróleo registaram, de forma generalizada, um crescimento inferior.
Mais inclusão financeira
Por seu turno, o governador do Banco Nacional de Angola, Manuel Tiago Dias, disse que as perspectivas económicas regionais da região africana permitem avaliar e compreender, por um lado, o desempenho dos indicadores macroeconómicos da região, as perspectivas de curto, médio e longo prazo e as recomendações de política que se poderá implementar para a resolução dos problemas identificados.
“Não se podem discutir questões económicas e financeiras sem prestar atenção especial às matérias relacionadas com a inclusão financeira e a igualdade de género, sobretudo no que toca ao acesso à educação e ao emprego”, afirmou o governador do BNA.
No que se refere à igualdade de género e ao desenvolvimento económico na África Subsahariana, Manuel Dias disse que o relatório enfatiza os esforços consideráveis e com resultados visíveis que a maioria dos países da região têm empreendido, no sentido de reduzir as desigualdades de género ao longo das últimas décadas.
Afirmou que alguns desafios permanecem e devem ser enfrentados com celeridade, apontando o acesso limitado das mulheres e raparigas às oportunidades de educação, saúde, serviços financeiros e ao emprego de alta qualificação.
FMI incentiva os governos a criarem mais
Os países da África Subsariana, sobretudo os exportadores de petróleo, como Angola, Tchad e Nigéria, devem proteger as famílias mais vulneráveis dos custos dos ajustes que têm vindo a implementar, realizando reformas que criem empregos suficientes para terem o apoio dos cidadãos.
A informação consta do relatório sobre as perspectivas económicas regionais da África Subsariana apresentado ontem, em Luanda, pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) em parceria com o Banco Nacional de Angola (BNA).
O documento assegura que os países da África Subsahariana estão a implementar reformas difíceis e necessárias para restaurar a estabilidade macroeconómica e embora os desequilíbrios tendem a diminuir, o quadro não é ainda animador.
Segundo o documento, as economias da região enfrentam três obstáculos principais, nomeadamente crescimento moderado e irregular, condições de financiamento apertadas e complexa interacção dos recursos.
“O crescimento regional está projectado em 3,6 por cento em 2024, embora se espere que este crescimento se recupere modestamente no próximo ano para 4,2 por cento”, lê-se no relatório.
Nesse ambiente, avança o documento, os Governos enfrentam um difícil acto de equilíbrio na busca pela estabilidade macroeconómica, ao mesmo tempo em que trabalham para atender às necessidades de desenvolvimento e garantir que as reformas sejam sociais e politicamente aceitáveis.
E no caso dos exportadores de petróleo, diante da transição global para a energia verde, a necessidade de diversificação é cada vez mais urgente.
Fonte: Jornal de Angola Online

